Entrega de armas aumenta quando seleção carrega faixa antes de jogos
Em jogo contra Argentina, aumento foi de 96% na semana da partida.
Desarmamento é um dos temas sociais de destaque para Copa do Mundo.
A seleção brasileira está batendo um bolão quando o assunto é paz. Segundo dados do Ministério da Justiça, o número de armas entregues no país aumentou significativamente quando o time entrou em campo empunhando a faixa pela campanha do desarmamento.
Os dados disponíveis são de dois jogos: um amistoso com os Estados Unidos, na casa do adversário, em 30 de maio de 2012, e na disputa pelo título do Superclássico contra a Argentina, no La Bombonera, em Buenos Aires, em 21 de novembro (veja acima imagens dos jogadores com a faixa antes desses jogos).
Durante a semana da primeira partida, entre 21 e 27 de maio, 759 armas foram entregues, um aumento de 36% em relação à semana anterior, com 559. No outro jogo, a população sensibilizou-se ainda mais, entregando 577 armas entre os dias 19 e 25 de novembro, contra 302 dos sete dias anteriores. O aumento foi de 96%.
Nos dois casos, o Brasil também saiu vencedor com a bola: goleou os Estados Unidos por 4 a 1 e levou a taça do Superclássico ao superar a Argentina nos pênaltis.
O exemplo está sendo seguido pelos clubes brasileiros. A faixa já foi também carregada antes de jogos entre Fluminense x Botafogo, Santos x Vélez Sarsfield, Santos x Guarani e São Bernardo x São Paulo, todos no ano de 2012.
Tema social da Copa
A iniciativa faz parte do tema social previsto no sétimo capítulo da Lei Geral da Copa do Mundo, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em junho de 2012. Segundo o Ministério da Justiça, o acordo cooperação entre o ministério, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Rede Desarma Brasil (RDB), para desenvolver ações na Copa das Confederações e na Copa do Mundo, está em fase de conclusão para ser assinado.
O tema aprovado na lei é: “Um mundo sem armas, sem drogas, sem violência e sem racismo”. Os defensores da idéia acreditam que a questão do desarmamento terá maior repercussão entre os tópicos abordados no tema, pois está prevista, inclusive, a troca de armas por ingressos.
“Queremos que não só o Brasil faça a campanha, mas que ela se estenda a todos os países. Queremos que esse movimento seja internacional”, disse o sociólogo Antônio Rangel Bandeira, um dos coordenadores da Rede Desarma Brasil, que entre segunda-feira (14) e este domingo (20) repassa a experiência brasileira à Cúpula sobre a Redução da Violência por Arma na América, nos Estados Unidos.
Experiência brasileira no exterior
Rangel levou na bagagem alguns números do Brasil. Desde que a Campanha Nacional do Desarmamento foi lançada, há um ano e quatro meses, 64 mil armas foram entregues no país. Ele diz que 21% das pessoas fazem a entrega não por causa de indenização, mas porque temem acidentes domésticos com crianças. Diz ainda que uma pesquisa revelou que das 720 mil armas no depósito da Polícia Civil do Rio, somente 14% do armamento ilegal são de procedência estrangeira.
“A característica da campanha é o total anonimato. A pessoa não é obrigada a dar nenhuma informação, porque o objetivo é tirar a arma de circulação”, informa Rangel.
A advogada Cristina Leonardo, que fez parte do grupo idealizador do projeto aprovado no Congresso e sancionado pela presidente, disse que a ideia é criar um pacto entre as nações que não envolva questões diplomáticas. “Para podermos avançar, temos que difundir a campanha do desarmamento pelo mundo para trabalhar a cultura da paz na Copa”, explicou Cristina.
Quem quiser entregar uma arma de fogo pode se dirigir a uma delegacia da Polícia Federal ou da Polícia Rodoviária Federal, ou ainda procurar os postos cadastrados que podem ser consultados no site www.entreguesuaarma.gov.br, onde podem-se obter outras informações sobre a Campanha Nacional de Desarmamento.
