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País é um dos líderes em mortes por armas de fogo

De acordo com o sociólogo Antonio Rangel Bandeira, campanhas de desarmamento são a forma mais eficiente de poupar vidas

Londrina - ''O Paraná é um dos Estados mais armados do País.''. A afirmação é do sociólogo Antonio Rangel Bandeira, da organização não governamental Viva Rio, que realiza campanhas de desarmamento no Brasil e exterior. ''Uma das prováveis causas seria a desconfiança da população em relação ao trabalho da polícia. E também aqui na Região Sul, principalmente, no Rio Grande do Sul, existe uma certa cultura de ter armas'', declarou.

Segundo ele, há no Brasil aproximadamente 16 milhões de armas circulando. ''Cerca de 90 % estão nas mãos da sociedade civil e praticamente metade são ilegais'', observou o sociólogo, que esteve ontem em Londrina para divulgar a Campanha Nacional de Entrega de Armas que será realizada em todo o País em julho. Na oportunidade, foi formalizada a criação do Comitê de Desarmamento Voluntário na cidade.

Matéria publicada pela Folha de Londrina na segunda-feira mostrou que os paranaenses têm cerca de 150 mil armas registradas em casa. Como há uma grande quantidade de armas ilegais em todo o País, o número registrado no Estado é certamente maior.

Rangel afirma que opção pela arma é fruto
da falta de confiança no trabalho da polícia


Segundo Bandeira, por ano morrem cerca de 34 mil brasileiros vítimas de disparos de arma de fogo. ''É um dos índices mais altos do mundo, semelhante ao registrado em guerras'', apontou.
O sociólogo acredita que essa é uma das causas para que brasileiro aponte a segurança pública como o principal problema nacional. ''Campanhas de desarmamento são parte da solução desse problema, que é muito complexo. Outro ponto importante seria melhorar a polícia e a fiscalização'', acrescentou o sociólogo.
Segundo ele, a Campanha Nacional de Entrega Voluntária de Armas deverá ser realizada anualmente. ''Será semelhante a uma campanha de vacinação prevista para acontecer todo mês de julho. Os ministérios da Justiça e da Saúde propuseram a medida, pois constataram através de estudos que quanto menos armas circulando mais vidas são salvas'', disse. A campanha realizada em 2004 e 2005 retirou de circulação cerca de 500 mil armas.
Para o sociólogo, quem tem arma em casa deve ficar atento aos riscos. ''Há vários casos de acidentes com crianças e uma pesquisa em São Paulo indicou que 80% dos homicídios estavam relacionados a brigas de vizinho, motivos passionais e outros tipos de desentendimentos não relacionados diretamente a crimes.''

Davi Baldussi
Reportagem Local