em 18/fev/2005 Alan Maschio Reportagem Local
HU gasta R$ 1 milhão por ano com baleados
Números foram divulgados pelo Comitê pelo Desarmamento, que quer ampliar campanha para reduzir violência com mais rapidez
No ano passado, o Hospital Universitário recebeu 154 pessoas para tratamento de ferimentos a bala
A Secretaria Estadual de Saúde tem custos anuais médios de quase R$ 1 milhão com o tratamento de pessoas baleadas que recebem atendimento no Hospital Universitário (HU) de Londrina. Os números foram divulgados ontem pela superintendência do HU em um evento realizado no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para a entrega voluntária de armas. Os dados são uma das principais justificativas usadas pelo Comitê pelo Desarmamento para a prorrogação da campanha, estendida agora até o dia 23 de junho.
Dados levantados pela assessoria de imprensa do HU dão conta de que o hospital recebeu, no ano passado, 154 pessoas para tratamento de ferimentos a bala. ''O Sistema Único de Saúde (SUS) nos repassa R$ 1.056 por paciente recebido, enquanto os gastos com um baleado são de R$ 6,2 mil, em média. A diferença entre estes valores é bancada pelo Estado, com um dinheiro que deveria ser aplicado na melhoria da prestação do serviço'', constatou o superintendente do HU, Francisco Eugênio de Souza.
Desde o início da campanha de desarmamento, a Polícia Federal (PF) de Londrina já recebeu voluntariamente 3.016 armas de fogo, retirando das ruas um arsenal que, na avaliação do delegado-chefe da 10 Subdivisão de Londrina, Jurandir Gonçalves André, é a principal fonte de abastecimento para o crime. A intenção das autoridades, segundo ele, é fazer com que a ação integrada entre o corpo militar, civil e federal das polícias aumente este número de forma a trazer impactos mais significativos na diminuição da violência.
''Comparando a estimativa que tínhamos para o número de homicídios em 2004 e o valor constatado, vimos que ocorreu uma redução de quase 50 ocorrências. A violência diminuiu porque estamos tirando das ruas as armas que são a fonte principal de abastecimento para o crime'', afirmou o delegado. Ainda de acordo com André, em 2004 foram registrados 170 homicídios na cidade, número inferior ao do levantamento realizado pela Folha (183), devido à diferença de critérios utilizada a polícia não conta as vítimas de latrocínios (roubo seguido de morte) e as que morrem depois no hospital. A estimativa da Polícia Civil era que em 2004 seriam registradas 220 ocorrências do gênero.
Para ampliar a atuação da campanha, o comitê deve realizar na próxima segunda-feira, dia 21, uma capacitação para cerca de 400 interessados em colaborar com a campanha. ''Queremos mobilizar a sociedade para a questão do desarmamento. Nossa intenção é instruir formadores de opinião para que a entrega voluntária de armas aumente'', explicou o delegado-chefe da Polícia Federal de Londrina, Sandro Viana dos Santos. Os interessados podem fazer inscrições gratuitas pelo fone (43) 3315-6600.
Com o treinamento, a esperança da Polícia Militar (PM) é de que o número de detenções por porte ilegal de armas também diminua. Segundo o major Altevir Cieslak, do 5º Batalhão da PM de Londrina, pelo menos duas pessoas são presas diariamente com armas ilegais. ''Em janeiro registramos 69 flagrantes deste tipo. É um número muito alto e que esperamos reduzir com a ampliação da campanha'', disse.
O próximo passo do programa será a integração do País na elaboração de um protoloco mundial pelo desarmamento, o que, segundo o coordenador da ONG Londrina Pazeando, Luiz Cláudio Galhardi, está sendo realizada pela Organização Não Governamental Sou da Paz. ''Temos que discutir questões como o contrabando e a venda de armas para países pobres. Assim eliminamos mais uma fonte de fornecimento para o crime'', disse.
A Secretaria Estadual de Saúde informou, por meio da assessoria de imprensa, que o HU recebe do SUS R$ 1,6 milhão para atendimento geral dos pacientes. Declarou ainda que o custo dos baleados varia de acordo com a estrutura de cada hospital e é assunto referente à administração de cada instituição.(Colaborou Fernando Rocha Faro)
Alan Maschio
Reportagem Local
