Jornal de Londrina RPC
Reportagem Stella Meneghel
em 15/fev/2005
MENOS VIOLÊNCIA - Em Londrina já foram entregues 3004 mil armas Campanha de desarmanento entra na segunda etapa
Postos de coleta serão montados em diferentes áreas da Cidade
A segunda fase da Campanha Nacional do Desarmamento começa em Londrina nesta quinta-feira, quando as pessoas poderão entregar suas armas em um posto de coleta que será montado no Hospital de Clínicas, no campus da UEL. O prazo final para a entrega de armas sem punição foi prorrogado até o dia 23 de junho. Em Londrina, as Polícias Civil e Federal receberam cerca de 3004 mil armas.
A coleta nesta quinta-feira é organizada pelo Comitê de Desarmamento de Londrina, formado por representantes das polícias, da ONG Londrina Pazeando e agora também conta com a participação das secretarias municipais de Saúde, Educação e da Mulher.
Na quinta-feira, serão divulgados dados sobre o número de vítimas da violência e o total de recursos públicos gastos no atendimento. O levantamento está sendo feito com base no atendimento prestado no Hospital Universitário (HU).
Depois dessa coleta, a Polícia Federal irá instalar um posto na Zona Norte, no início de março. Um terceiro ponto deve ser montado em Cambé, onde estão ocorrendo diversos homicídios.
Efeito
Até a semana passada, na Polícia Federal de Londrina tinham sido entregues 3.006 armas. Na Polícia Civil, o total recolhido é de 7 mil. No Estado, as duas polícias conseguiram recolher cerca de 30 mil armas. No Brasil, são quase 300 mil entregues à polícia.
Em uma pequena pesquisa feita pela ONG Londrina Pazeando, com 35 pessoas que entregaram armas na Cidade no ano passado, 71,4% disseram que entregaram a arma para evitar que caísse em mãos erradas. O mesmo percentual disse que foi motivado a fazer isso em função da campanha do desarmamento.
“Essa amostra de pesquisa já indica como a campanha atuou de forma positiva. O número de armas entregues pode não ser grande, mas para as famílias que deixaram de perder uma pessoa vítima de arma de fogo isso é muito importante. O que mais queremos com a campanha é formar uma cultura pela paz”, afirmou o coordenador da ONG, Luiz Galhardi.
O delegado-chefe da Polícia Federal, Sandro Viana dos Santos, também observou a importância da Campanha de Desarmamento. “Mais importante que a coleta é a consciência da não violência e pela paz”, disse. Ele lembrou que o tema escolhido para a Campanha da Fraternidade deste ano, “Solidariedade e paz – felizes os que promovem a paz”, veio colaborar com o trabalho em defesa do desarmamento.
Para o delegado-chefe da Polícia Civil, Jurandir André Gonçalves, parte da redução dos homicídios ocorridos no ano passado se deve à Campanha do Desarmamento. “A outra parte para a redução se deve à responsabilização dos autores do crime”, disse. Até 2003, os homicídios cresceram constantemente, chegando a 191. Em 2004, foram 173 (exceto as mortes de latrocínio).
Para ajudar nessa segunda etapa da campanha, cerca de 400 profissionais das secretarias de Saúde, Educação e da Mulher passarão por um treinamento para disseminar informações sobre como deve ser feita e qual a importância da entrega das armas.
Além do recolhimento de armas, o Comitê de Desarmamento de Londrina trabalha agora para informar a sociedade o referendo que deve acontecer em outubro para decidir se a comercialização de armas no Brasil será proibida ou não.
Stella Meneghel
