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Folha de Londrina, 27 de Novembro de 2004
O QUE FOI DITO  NO PARANÁ 
''Sempre tive vontade de doar, mas faltou oportunidade. Hoje vimos na TV, na hora do almoço, que estava acontecendo a campanha e resolvemos vir.'' ..........Maria Lúcia da Silva Guadanhi, dona de casa em Londrina, ao explicar por que decidiu participar da campanha de doação de sangue. 
''Não é com armas em casa que vamos resolver o problema da violência.'' .........Luis Cláudio Galhardi, coordenador da Organização Não Governamental Londrina Pazeando, ao defender a campanha de desarmamento.

 

 

 

Folha de Londrina, 30 de Novembro de 2004
Jacira Werle  Reportagem Local

 

Campanha de desarmamento será descentralizada

Karina Yamada

Armas recebidas em Londrina desde o início da campanha do desarmamento, que foi prorrogada

 

O Comitê Londrinense para o Desarmamento definiu ontem em reunião os quatro endereços para a entrega de armas. A partir do dia 11 de dezembro a população poderá fazer a entrega dos armamentos no Centro Comunitário do Jardim Interlagos (zona Leste de Londrina), no Centro Comunitário na Saul Elkind (zona Norte), na Igreja Católica do Km 9 (bairro Nossa Senhora Aparecida, zona Sul) e no Caic da zona Oeste. Os locais irão funcionar para tornar mais fácil o desarmamento, explica o delegado chefe da Polícia Federal (PF) de Londrina, Sandro Viana dos Santos. Atualmente, as armas só podem ser entregues na sede da PF, que já arrecadou cerca de duas mil unidades desde o dia 15 de julho. Com a descentralização da Campanha do Desarmamento na cidade, a PF espera recolher mais 500.
Viana dos Santos ressalta que a Campanha de Desarmamento seria encerrada no dia 23 de dezembro mas foi prorrogada por mais seis meses. Para cada arma entregue, a pessoa recebe uma indenização que varia de R$ 100 a R$ 300. O delegado acredita que '' é hipocrisia dizer que bandido vai entregar armas para nós''. Segundo ele, a maioria das pessoas não sabe o manuseio correto e acaba levando a pior em uma situação de troca de tiros com bandidos. Após a entrega, todas as armas são destruídas.
O capitão da Polícia Militar (PM), Altimir Cieslak, reforça que 85% das armas apreendidas pela PM entraram legalmente em circulação. ''As amas são legais, mas acabam chegando até os marginais por assaltos ou outras formas'', argumenta. Segundo ele, neste ano 600 armas formam apreendidas em Londrina.
Além de representantes da PF, PM, Ong Londrina Pazeando e Educandário, entidades que integram o Comitê para o Desarmamento, participaram da reunião o diretor executivo da Ong Sou da Paz, Dênis Mizne, e integrantes da sociedade civil.
A Ong Sou da Paz surgiu no Rio de Janeiro e foi o primeiro grupo a fazer uma mobilização em favor do desarmamento. ''A idéia surgiu dentro do curso de direito da Universidade de São Paulo quando nós começamos a lutar contra a violência, em 1997. Já naquela data arrecadamos armas'', lembra Mizne. Depois desse episódio o grupo cresceu e ganhou força com a criação da Organização Não Governamental Sou da Paz, em 1999.
Mizne menciona a aprovação do Estatuto do Desarmamento, a Campanha do Desarmamento e a realização de um referendo que decidirá se a comercialização de armas será permitida ou não, como exemplos de vitórias alcançadas com ajuda da Ong. ''Setenta por cento das pessoas assassinadas no Brasil morrem vítimas de arma de fogo'', argumenta. Segundo ele, graças à campanha, índices menores de homicídio podem ser esperados para o futuro. Hoje exemplo para outros movimentos, integrantes da Sou da Paz viajam pelo país relatando as experiências do grupo.